Tenho que te confessar...


Um texto demais do  blog Tapa na Pantera, do Thiago Furtado. Lindo texto. Espero que curtam!!!
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Mas tenho que te confessar. Durante todos estes anos, não houve um único dia em que não pensasse em ti. É verdade que com o passar do tempo, me fui esquecendo do modo como os teus olhos brilhavam, dos jeitos que davas ao cabelo, só para me fazer a vontade, do teu sorriso contagiante e doce, até mesmo das caretas e expressões que fazias. Mas se pensas que isso me impediu, estás enganada. Mesmo quando já não me recordava fisicamente de ti, imaginava-te à minha maneira. Estavas presente na minha cabeça, nas situações de alegria e até nas situações de maior tristeza, onde ia buscar força e alento ao pensar em ti.

Por outro lado, não houve um dia em que não te tentasse arrancar do meu coração, fraco e despedaçado. Tentei não uma, não duas, mas centenas de vezes. Todos os dias, sem exceção. Mas é tão difícil, quando se gosta de verdade.

Amanhã vou tentar novamente, prometo. Mas tenho a sensação de que mais uma vez, de nada vai valer. Talvez um dia consiga, ou talvez não. Mas alguém de quem eu gosto muito disse-me para simplesmente tentar, e a última coisa que quero é desiludi-la.

Já experimentei de tudo. Desde bater com a cabeça na parede, pegar no carro e fugir para longe de tudo ou simplesmente ir para a porta de tua casa e relembrar-me de todos os bons momentos que lá passamos. Nada funcionou, até hoje. Porque de um momento para o outro, seja ao ouvir um simples som, ao fazer um mero gesto, ao ver uma expressão, ao viver uma situação, eu penso em ti. É mais forte do que eu. Sim, eu, aquele que se julgava forte e intransponível. Aquele que agora não consegue adormecer, sem sentir saudade da irritante comichão que os teus cabelos me provocavam, quando te deitavas a meu lado. Aquele que um dia te disse "amo-te", sem saber na encruzilhada em que se estava a meter. Se pudesse voltar atrás, admito que talvez fizesse exatamente o mesmo. Aquilo por que passamos foi tão bom, que só para voltar a viver tudo de novo, eu submetia-me a este sofrimento.

Às vezes vejo-te na rua, com o teu grupo de amigas e amigos. Cumprimento-te sempre e falamos como meros conhecidos, fingindo que a vida de cada um de nós está melhor do que nunca. Fingindo que não estamos frágeis, que não nos arrependemos de tudo ter terminado como terminou e fingindo que lidamos bem com o fato de sermos meros conhecidos, quando outrora fomos um só. Sinceramente, estou farto. Não preferes antes parar de fingir e viver a vida de uma vez por todas?

O tempo vai passando depressa, com o nosso consentimento. E se há coisa que eu aprendi durante todo este período, é que as pessoas têm razão: o tempo cura tudo. Menos o amor



Escrever é Triste



Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam, para depois comentá-los com a maior cara-de-pau ("com isenção de largo espectro", como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego — às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

Ah, você participa com palavras? Sua escrita — por hipótese — transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever «O Capital» é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu «O Capital». Não é todos os dias que se mete uma ideia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incómodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhes os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado do espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples pai de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. 

Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isto entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. 

Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

Carlos Drummind de Andrade, in 'O Poder Ultrajovem

Saudade...






“A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno e inflama o grande.”

(Roger Bussy-Rabutin)




Saudade...


Glorificada pelos poetas, aclamada pelos compositores, repudiada pelos apaixonados e odiada pelos tradutores.


Todos sabem que esta diminuta palavra é o sétimo vocábulo mais difícil de traduzir. Acredito que a dificuldade se dê, talvez, pelas inúmeras facetas, formas e modos existentes para expressar este sentimento tão conhecido por todos nós, afinal, quem nunca sentiu a tão temida saudade?


.... de alguém falecido,


.... de alguém que amamos e está longe ou ausente,


.... de um amigo querido,


.... do tempo que passou...


Mas afinal, qual o significado desta bendita palavra??


De acordo com o dicionário Aurélio, saudade significa: “Lembrança nostálgica e ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia”. “Pesar pela ausência de alguém que nos é querido”. E se formos mais fundo, descobriremos que a palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão).


Alguns a descrevem como “a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.” Outros dizem que ela é a ausência da presença e ainda há aqueles que sentem saudade até do que não se viveu!


Saudade que queima, que arde, que traz lágrimas aos nossos olhos e deixa o nosso coração apertado.


Saudade que queima, que arde, que nos traz lembranças felizes, acalenta o coração e nos faz sonhar acordados, trazendo a tona imagens que nem o tempo, nem o vento e nem a distância conseguem apagar.


Contudo, a meu ver, a palavra que mais define este sentimento foi declarada pela escritora Martha Medeiros:


"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."


Não há definição melhor que está... Saudade é o não saber!!!


Quando você está no quarto e ele na sala, não tem problema, pois você sabe onde ele está!


Você poderia passar o dia sem vê-lo, mas não teria razão para se preocupar afinal você o veria ao entardecer.


Porém, quando a distância aumenta e o contato torna-se escasso, o não saber toma conta da alma e a saudade chega... Assim, sem aviso prévio, sem pedir licença, como quem não quer nada, não respeita barreiras, ela se instá-la com a velocidade da luz e se faz presente com a sensação da eternidade.


Conforme-se, a saudade é e sempre será nossa eterna companheira nesta jornada que denominamos VIDA! As duas caminham juntas, lado a lado, sendo indelével a sua dissociação.


Já que será impossível passar pela Vida sem esbarrar na saudade, que ela não seja, então, um fardo funesto, com o qual seremos condenados a conviver para o resto da vida, mas sim, que saibamos transformá-la em dádivas para registrarmos no opúsculo de nossa história as inúmeras lições na arte de viver.


Que possamos transformá-la em motivação para superar os obstáculos que a vida nos coloca pelo caminho. Afinal, se não existisse saudade, que gosto a vida teria? É ela que abre espaço para a esperança, nos enche de otimismo e nos permite amadurecer na serenidade.


Todo sentimento contribui para o nosso crescimento, até mesmo o mais sofríveis, alias, são estes, os mais penosos, que nos fazem crescer verdadeiramente.


Então que saibamos utilizar e transformas a dor da saudade em graça divina!!!

O Começo...




"Não tenha medo de começar coisas novas, afinal, amadores construíram a Arca; e profissionais construíram o Titanic..."(Desconhecido)




Eu estava procurando na internet um assunto interessante para utilizá-lo como primeiro post nesse blog, contudo, nada surgiu! O medo de não ter nenhum texto digno para abri-lo com chave de ouro deixou-me nervosa e indecisa..... Será que devo de fato iniciar essa nova empreitada em minha vida? Pra que? Eu já tenho tantas obrigações, porque raios quero fazer isso? E se não der certo? E se ninguém gostar?.... Perguntas que assolavam a minha mente.

O Começo!!

Quem nunca se amedrontou com o início de uma nova etapa? Quem nunca teve dúvidas na hora de começar um novo projeto?

Começar significa partir da estaca zero! Traçar uma meta e ir rumo ao desconhecido sem saber se o resultado será bem sucedido ou não! E a incerteza nos intimida!

A verdade é que temos medo da mudança, medo de perder o que se tem por algo duvidoso que pode dar certo ou não, contudo esse medo excessivo, por muitas vezes nos prende à situações que só nos trazem infelicidade.

Muitas pessoas são tão acomodadas com a sua vida que quando pensam ou escutam a palavra começar, surge inúmeros contratempos que as fazem adiar algo que poderia ser extremamente benéfico para elas.

Entretanto, poucos percebem que são as mudanças que transformam as nossas vidas! São elas que nos impulsionam e nos fazem enxergar um novo ângulo que antes era completamente desconhecido. Até mesmo as escolhas erradas nos ajudam de alguma forma, pois nos tornamos mais maduros e mais pervicazes na hora de decidirmos qual caminho seguir.

Portanto, arrisque, comece e não tenha medo, pois as oportunidades estão ai, na sua frente, esperando que você as aproveite, mas corre, vai que ela decide ir embora!!!

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Porque eu fazia do amor um cálculo de matemática errado: pensava que somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Clarice Lispector

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