Saudade...






“A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno e inflama o grande.”

(Roger Bussy-Rabutin)




Saudade...


Glorificada pelos poetas, aclamada pelos compositores, repudiada pelos apaixonados e odiada pelos tradutores.


Todos sabem que esta diminuta palavra é o sétimo vocábulo mais difícil de traduzir. Acredito que a dificuldade se dê, talvez, pelas inúmeras facetas, formas e modos existentes para expressar este sentimento tão conhecido por todos nós, afinal, quem nunca sentiu a tão temida saudade?


.... de alguém falecido,


.... de alguém que amamos e está longe ou ausente,


.... de um amigo querido,


.... do tempo que passou...


Mas afinal, qual o significado desta bendita palavra??


De acordo com o dicionário Aurélio, saudade significa: “Lembrança nostálgica e ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia”. “Pesar pela ausência de alguém que nos é querido”. E se formos mais fundo, descobriremos que a palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão).


Alguns a descrevem como “a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.” Outros dizem que ela é a ausência da presença e ainda há aqueles que sentem saudade até do que não se viveu!


Saudade que queima, que arde, que traz lágrimas aos nossos olhos e deixa o nosso coração apertado.


Saudade que queima, que arde, que nos traz lembranças felizes, acalenta o coração e nos faz sonhar acordados, trazendo a tona imagens que nem o tempo, nem o vento e nem a distância conseguem apagar.


Contudo, a meu ver, a palavra que mais define este sentimento foi declarada pela escritora Martha Medeiros:


"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."


Não há definição melhor que está... Saudade é o não saber!!!


Quando você está no quarto e ele na sala, não tem problema, pois você sabe onde ele está!


Você poderia passar o dia sem vê-lo, mas não teria razão para se preocupar afinal você o veria ao entardecer.


Porém, quando a distância aumenta e o contato torna-se escasso, o não saber toma conta da alma e a saudade chega... Assim, sem aviso prévio, sem pedir licença, como quem não quer nada, não respeita barreiras, ela se instá-la com a velocidade da luz e se faz presente com a sensação da eternidade.


Conforme-se, a saudade é e sempre será nossa eterna companheira nesta jornada que denominamos VIDA! As duas caminham juntas, lado a lado, sendo indelével a sua dissociação.


Já que será impossível passar pela Vida sem esbarrar na saudade, que ela não seja, então, um fardo funesto, com o qual seremos condenados a conviver para o resto da vida, mas sim, que saibamos transformá-la em dádivas para registrarmos no opúsculo de nossa história as inúmeras lições na arte de viver.


Que possamos transformá-la em motivação para superar os obstáculos que a vida nos coloca pelo caminho. Afinal, se não existisse saudade, que gosto a vida teria? É ela que abre espaço para a esperança, nos enche de otimismo e nos permite amadurecer na serenidade.


Todo sentimento contribui para o nosso crescimento, até mesmo o mais sofríveis, alias, são estes, os mais penosos, que nos fazem crescer verdadeiramente.


Então que saibamos utilizar e transformas a dor da saudade em graça divina!!!

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Porque eu fazia do amor um cálculo de matemática errado: pensava que somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Clarice Lispector

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